Rumo ao tri Olímpico: conheça a seleção masculina de vôlei

Por Enrico Monteiro

Desde que assumiu a seleção brasileira, em 2001, o técnico Bernardo Rezende disputou três Jogos Olímpicos e chegou nas 3 finais, sendo campeão em 2004 e vice-campeão em 2008 e, de uma forma dramática em 2012.

Os Jogos Rio 2016 talvez sejam o maior desafio na carreira do treinador, pois sabe que a pressão em casa será muito forte e a seleção não consegue há 3 finais sair como vencedora e só teve um título neste ciclo olímpico, o da Copa dos Campeões de 2013. Para efeito de comparação, no ciclo olímpico de Pequim 2008, a seleção conquistou 6 títulos de 7 possíveis e, no ciclo de Londres 2012, 3 títulos.

Um outro fato que a seleção brasileira lidará é com o peso de jogar no Brasil, onde a seleção sempre desempenha bons papeis em fases eliminatórias, mas fracassa em momentos decisivos como nas finais das Ligas Mundiais de 2002, 2008 e 2015.

Na Liga Mundial deste ano, o Brasil foi vice-campeão sendo derrotado para a Sérvia, que não estará nas Olimpíadas. Nos Jogos Rio 2016, a seleção enfrentará na fase de grupos o México, o Canadá, os Estados Unidos, a Itália e a França.

Provável seleção titular nos Jogos será Lucarelli, Mauricio Souza, Mauricio Borges, Bruninho e Serginho (da esquerda para a direita) além de Lucão

Provável seleção titular nos Jogos será Lucarelli, Mauricio Souza, Mauricio Borges, Bruninho e Serginho (da esquerda para a direita) além de Lucão

Para tentar o tricampeonato olímpico e afastar os fantasmas, o técnico Bernardinho convocou seus 12 guerreiros em uma boa renovação em relação aos Jogos Londres 2012. Cortando Isac, que ainda se recupera de lesão, Thiago Brendle, que não se mostrou capaz de bater Sérginho nas finais da Liga Mundial e Murilo, que está lesionado, numa contestada decisão.

Confira uma análise de cada um dos doze atletas que irão defender a seleção brasileira:

Levantadores

Bruninho: Já experiente levantador, o atleta de 30 anos que é filho de Bernardinho, vai para seu terceiro Jogos Olímpicos, sendo titular em 2012. Com 1,90m o jogador sempre distribui bem as jogadas pelos ponteiros e tem como pontos fortes seu saque e o entrosamento com o central Lucão, com quem sempre faz boas jogadas.

William Arjona: Com 36 anos, o ‘mago’ vai estrear em Jogos Olímpicos e tem a confiança de Bernardinho e da torcida para fazer boas inversões nas partidas. Desbancando Rapha pela vaga, fez bons jogos pela Liga Mundial e provou que mereceu a vaga.

Ponteiros

Inexperiência pode pesar contra o jovem atacante.

Inexperiência pode pesar contra o jovem atacante.

Ricardo Lucarelli: Um fenômeno. Com apenas 24 anos e 1,95m é craque e muitos consideram que o Brasil tem uma “Lucarellidependência”. Sua variação de ataques, sempre com potência, é seu ponto forte. Contra ele, pesa sua inexperiência e como a pressão pode tirá-lo do jogo, como na final da Liga Mundial.

Maurício Borges: Com apenas 27 anos e 1,99m, o ponteiro passador assumiu com categoria a vaga deixada quando Murilo se lesionou. Desde 2010 na seleção brasileira, vai para seus primeiros Jogos e ao seu favor, tem uma boa recepção e eficiência nos ataques. Na final da Liga Mundial, também deixou a desejar, sendo substituído por Lipe.

Lipe: Experiente, o atacante pode mudar o clima da seleção com sua vibração. Com 32 anos e 1,98m é sempre muito enérgico e tem o poder de trazer a torcida para a quadra, quando esta estiver meio quieta. Reserva, tem seu saque como uma arma secreta da seleção.

Douglas Santos: Com apenas 20 anos, o jovem ponteiro se destacou na Superliga 2015/2016 pelo Sesi-SP. Tem 1,99m e dificilmente entra em quadra pela amarelinha, pois é o reserva direto de Lucarelli, pilar da seleção.

 

Centrais

Lucão: Calmo dentro de quadra, mas enérgico com seus companheiros fora dela, Lucas tem 2,09m de altura e é um jogador completo. No ataque de bola rápida é praticamente mortal, no bloqueio é forte e quando acerta o saque, as chances de ace são altas. É outro pilar da seleção amarelinha, onde atua desde 2007, quando tinha 21 anos.

Maurício Souza: De último reserva para titular indispensável da seleção, Maurício mostrou que a Liga Mundial pode mudar o status de um jogador. Com 2,09m é bloqueador nato e estreará nos Jogos Rio 2016 após ser eleito o melhor central da Liga Mundial deste ano.

Éder: Viu o surgimento de Maurício Souza tirar sua chance de ser titular, mas já mostrou para Bernardinho que pode dar conta do recado, caso ele necessite. Com 2,04m e 32 anos, o central está de olho em oscilações de seus companheiros de posição para poder jogar e mostrar seu bom trabalho em saque, bloqueio e ataque.

Opostos

Wallace: Um dos melhores opostos do planeta, foi eleito o melhor da posição no Mundial de 2014 e na Liga Mundial deste ano. Com 29 anos e 1,98m busca a redenção, pois teve atuação criticada, após assumir a vaga do lesionado Leandro Vissotto, na grande final de 2012. Uma boa atuação do oposto pode garantir uma medalha brasileira.

Evandro:  Estreante em Jogos Olímpicos, o oposto é o reserva imediato de Wallace e está sempre pronto para entrar em quadra na inversão 5 x 1. Competir com o titular é muito complicado, mas Evandro sabe de seu potencial e o quanto pode ajudar em um jogo mais complicado, visto que seus 34 anos lhe garantem experiência.

 

Líbero

Serginho: Dispensa apresentações. Com 40 anos, reconsiderou jogar pela seleção e voltou como titular direto. Único campeão olímpico no grupo, são 13 conquistas com a seleção e diversos prêmios individuais. Ganhou disputa com Thiago Brendle e é o jogador mais experiente da modalidade no Rio 2016.

Campeão olímpico em 2004, Serginho é considerado o melhor líbero da história

Campeão olímpico em 2004, Serginho é considerado o melhor líbero da história

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