Retrospectiva 2016: Sobrou emoção na Eurocopa e Copa América

Por Bruno Louzada e Rodolfo Lamas

Desculpa, Éder! Herói improvável e domínio português na Europa

Sem dúvidas, este foi o ano das histórias e dos heróis improváveis no futebol. Após a perda do título em 2004, em casa, numa final contra a limitada Grécia, o sentimento de todos português era de que tinham perdido a grande – talvez única – chance da vida. A grande geração de Figo, Rui Costa, Maniche, Ricardo Carvalho tinha passado.

Felipão consola Cristiano Ronaldo na derrota de 2004 (Reuster)

Felipão consola Cristiano Ronaldo na derrota de 2004 (Reuster)

Doze anos depois, o provável melhor português de todos os tempos tinha uma missão. Mesmo no auge, seria Cristiano Ronaldo capaz de carregar a seleção a um título europeu? Ao seu lado, no máximo bons jogadores – Moutinho, Nani, Rui Patrício, Pepe – nenhum Luis Figo…

Bom, não dá pra ignorar que 2016 foi o ano das improbabilidades. A campanha na primeira fase ficou longe de ser consistente. Com três empates, o time comandado por Fernando Santos passou na terceira posição, atrás de Hungria e Islândia. Esta, inclusive, merece uma capítulo especial na Euro.

Não menos sofrida foi a fase de mata-mata. Nas oitavas, um confronto dificílimo – a Croácia vinha apresentando um bom futebol na competição. Num jogo de pouca posse de bola, Quaresma foi determinante na vitória por 1 a 0 na prorrogação. Na fase seguinte, o auge do sofrimento: disputa por pênaltis. Lewandowski e Renato Sanches marcaram os gols da partida, que terminou com vitória portuguesa por 5 a 3 nas penalidades.

As semifinais reservavam um duelo especial: companheiros de clube, CR7 e Bale estavam frente a frente. Foi a hora do gajo brilhar, na primeira vitória portuguesa no tempo normal em toda a Euro 2016. Nani completou o placar e confirmou a volta dos lusitanos a uma final.

Confira os gols com narração portuguesa:

O futebol é fantástico mesmo! Depois de 12 anos, Portugal tinha a chance da redenção, e pegava logo o anfitrião. Era a chance de esquecer a tragédia grega que abalou a seleção diante de seu povo. Agora a história podia ser a favor de Portugal, que sabia que chances assim não podem ser desperdiçadas.

A favorita França vinha de um começo não muito seguro, até por toda a pressão. Mas o time se afirmou no mata-mata e vinha de uma vitória imponente sobre a campeã mundial Alemanha – 2 a 0. Com o artilheiro Griezmann em grande fase e outras estrelas, a França podia voltar a levantar um caneco europeu depois de 16 anos.

Mais uma vez o futebol nos reservava uma história de superação. O que parecia difícil para Portugal, ficou ainda pior aos 23 minutos. Cristiano Ronaldo, machucado, deixou o campo. Com a entrada de Quaresma, o time buscava, mais do que nunca, os contragolpes.

Mais uma prorrogação. E eis que surge o herói, o autor do gol do título. Muitos criticaram a opção de Fernando Santos quando na lista dos 23 convocados incluiu o nome de Éder. Até começou a circular uma petição na internet que pedia a substituição do jogador no elenco. O atacante nasceu em Bissau e nunca teve destaque em grandes equipes. Os lusos tanto se arrependeram das críticas que criaram um site www.desculpaeder.com.

Copa América especial, mas com um final já conhecido

Em uma edição comemorativa, disputada nos Estados Unidos, a Copa América Centenária teve ingredientes dignos de uma competição singular. É bem verdade que nem todos os fatos importantes foram novos, como o gol perdido por Higuaín na final contra o Chile, história que já havia acontecido em 2015. Entretanto, tivemos acontecimentos surpreendentes no torneio.

Primeira Fase

A Copa América começou de uma maneira meio fria, sem empolgar tanto. Jogos com pouca qualidade técnica e com elevadas doses de violência, fatos até tradicionais, de certo modo, no futebol praticado nas Américas. Ainda assim, tivemos momentos marcantes na primeira fase.

O Uruguai, potência sul americana nos últimos anos, perdeu seus dois primeiros jogos e acabou eliminado na primeira fase da competição.

Os anfitriões, a equipe dos Estados Unidos, fizeram bonito e passaram em primeiro em um grupo com adversários complicados: Colômbia, Costa Rica – sensação da Copa de 2014, quando foi eliminada nas quartas para a Holanda e o Paraguai.

A Argentina sobrou no grupo D do torneio, com grandes atuações, principalmente de Messi.

Brasil decepciona

Quem mais ficou em evidência foi a Seleção Brasileira, não por aspectos positivos, mas por negativos. A estreia contra o Equador foi controversa, pois o trio de arbitragem anulou um gol legítimo dos equatorianos. A partida terminou em um 0 a 0 comemorado pelos brasileiros.

Na segunda rodada o adversário foi o Haiti, país que o Brasil ajuda de maneira rotineira nas questões sociais. Mas no momento quem estava em busca de ajuda eram os brasileiros, principalmente o técnico Dunga, muito criticado por suas decisões. Ironicamente, um ano e onze meses após o Brasil perder por 7 a 1 para a Alemanha, o time de Dunga venceu pelo mesmo placar da maior derrota da história da seleção verde amarela. Show de Philippe Coutinho, autor de três gols.

Após essa expressiva vitória, ainda que sobre uma seleção fraca tecnicamente, as coisas pareciam que iam mudar. Nada disso! Mais uma atuação ruim, dessa vez contra o Peru e derrota brasileira. O gol de Ruidíaz, marcado após muita demora e polêmica, pode ter mudado a história do futebol do Brasil. Depois de algumas reuniões, após o fracasso em solo norte americano, Dunga foi demitido e Tite contratado. A famosa frase: “há males que vem para o bem”, nunca coube tão bem em uma situação.

Gol de mão do peruano Ruidíaz 

Final repetida?!

Os adversários eram os mesmos da edição anterior. Novamente Argentina e Chile decidiam a Copa América. Em 2015 vitória chilena nos pênaltis. Agora era a chance dos Hermanos não só se vingarem de seu algoz do ano anterior, como vencer um campeonato, fato que não ocorre desde da conquista da Copa América de 1993.

O jogo foi tenso, com poucas oportunidades de gol. O roteiro foi parecido como no ano passado. Ironicamente, quis o destino que uma das principais chances de gol parasse nos pés de um jogador que já havia falhado em finais anteriores, Gonzalo Higuaín. Ele que desperdiçou uma grande oportunidade na final da Copa do Mundo contra Alemanha e uma outra contra a mesma Seleção Chilena em 2015. Mais uma vez, “Pipita”, como é conhecido o atacante na Argentina, decepcionou e perdeu a chance de entrar para a história de seus país. É bem verdade que ele entrou, mas não da maneira que pretendia…

Gol perdido por Higuaín 

Mais uma vez a decisão foi nos pênaltis, assim como no ano anterior. Messi desperdiçou sua cobrança e viu sua terceira oportunidade de levantar uma taça pela seleção principal escapar mais uma vez. Chile bicampeão!

Após a derrota o craque do Barcelona chegou a anunciar que não jogaria mais pela “Albiceleste”, mas ele acabou demovido de sua decisão e retomou seu posto de camisa dez e capitão dos Hermanos.

Ah, e o Higuaín? Segue fazendo gols em larga escala no Campeonato Italiano, agora pela Juventus. Porém, na Argentina parece perder prestígio a cada nova convocação.

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