O Galo de Marcelo Oliveira tem os mesmos problemas que seus times anteriores

Nenhuma variação tática, defesa vulnerável e dependência excessiva de alguns jogadores são erros que se repetem nos trabalhos do treinador

O Atlético Mineiro vinha de uma boa sequência no campeonato brasileiro até a derrota para o Flamengo, hoje, por 2×0. Antes, porém, o time chegou a ficar sete jogos sem vitória e, desde que Marcelo chegou, foram raros os momentos de grande futebol. Um elenco caro – talvez caro demais para o clube – um dos melhores do país, para muitos. Mas um erro do presidente: a demissão precipitada de Aguirre e mais – a aposta cara em um técnico que não têm conseguido corrigir erros claros em suas equipes.

Marcelo Oliveira fez dois excelentes trabalhos – Coritiba e Cruzeiro. Incontestáveis. Mas o técnico cometeu um erro que alguns colegas não cometeram: Marcelo não se atualizou. Desde seu auge, outros comandantes mudaram. Tite ficou um ano fora do futebol e voltou muito melhor. Cuca, na China, estudou ainda mais. Jovens começaram a surgir – Roger Machado é o grande expoente. E outros vão tendo a primeira oportunidade, caso de Zé Ricardo, adversário de Marcelo neste domingo.

O treinador do Flamengo tem mostrado qualidade nesse começo do trabalho. Em pouco tempo, conseguiu fazer o que Muricy não foi capaz – deu um padrão ao time, definiu uma forma de jogar e, mesmo mudando as peças, o time não deixa o nível cair. Justificativa imediata para o baixo rendimento atleticano na partida de Brasília, os desfalques eram ainda mais significativos no rubro-negro. Fred e Cazares são os melhores do time? Sim, sem dúvidas, os mais decisivos. Mas a atuação do Galo foi abaixo da crítica.

A começar pela vulnerabilidade defensiva. É verdade que Victor e Léo Silva não vivem um bom momento, e Erazo nunca foi o zagueiro mais seguro do mundo. Mas a equipe não tem compactação defensiva. O Flamengo não precisou ser genial para achar espaços. No primeiro gol, por exemplo, Vizeu entra com facilidade entre dois marcadores e bate cruzado.

Quando deixou o Cruzeiro, Marcelo não foi tão criticado, exatamente porque não contava com grande elenco. Mas não foi o que se viu nos clubes seguintes. Tanto no Palmeiras quanto no Atlético, Marcelo tem nas mãos um dos melhores elencos do Brasil, e isso é um consenso. Não são poucos os treinadores que fazem mais com menos.
Outro ponto que salta aos olhos quando analisamos as equipes dirigidas por Marcelo é a ausência de variação no sistema de jogo. E não é apenas o 4-2-3-1, esquema sempre adotado pelo treinador. São raros os momentos em que MO faz uma alteração nas características dos jogadores de determinadas posições. O repertório não se altera.
Como dizem as próprias pessoas do meio: “o futebol é dinâmico”, está mudando constantemente. Quem não acompanha, fica pra trás. A fila anda. E Marcelo está demorando demais para perceber.

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